Em 2003 foi a vez de pedalar pela primeira vez em Torres del Paine, desde então retornamos uma dezena de vezes para pedalar por lá. Para Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers, as montanhas mais bonitas que viu até hoje. Aquelas montanhas colossais formando uma fortaleza no horizonte, ficam para sempre marcada em nossa mente. O indizível encontro do horizonte com a verticalidade absoluta. Do nível zero da planície aos 3050 metros do cume do Paine Grande, sem aviso prévio ou etapas intermediárias. Em cima, quinze picos com mais de 2 mil metros, todos eles monólitos gigantescos. À medida que o maciço se aproxima cresce a impressão de que aquilo é uma explosão atômica solidificada. Um inimaginável cogumelo sem redoma, uma série de hastes que devem ter ligado a Terra às estrelas e foram decepadas por um fenômeno qualquer. É claro que não pedalamos até lá, pois as torres Del Paine são os picos mais desafiadores do mundo. Muitas delas jamais foram conquistadas, embora ano após ano, os alpinistas desafiem. O vento não permite. Nem a pedra, que se torna menos rígida conforme a altitude. Muito menos o gelo, que vira uma espessa camada nos altos do Paine Grande. Mais a maior parte do tempo estamos com os impressionantes picos fazendo um belo fundo para nossas fotos limitando o horizonte.
Pedalar nessa região da Patagônia só é possível no verão. É um local onde parece que o dia não termina, os dias de verão são intermináveis. Chamadas de estações austrais, o sol chega a clarear às 3 da manhã e se pôr às 11 da noite. O vento, principalmente no verão, chega a alcançar até 90 quilômetros por hora deixando a pedalada ainda mais difícil. Acaba trazendo frio pela perda de calor – mesmo nos dias ensolarados. E também forma estranha de nuvens arredondadas com o formato de disco-voadores. Em um único dia podemos ter as 4 estações do ano. Foram dias de duros pedais, com muito vento, mais inesquecíveis de tamanha beleza.
Puerto Natales é a porta de entrada do parque. São 90 quilômetros pela Ruta 9, para nordeste, e há ônibus saindo entre 7h e 8h da manhã e entre 13h e 15h. A viagem dura cerca de 3h. Um outro jeito de chegar à região é através de botes de borracha do tipo zodiac subindo o rio Serrano. Neste caso, não se esqueça de trazer na mala gorro, luvas e roupas quentes.
ONDE FICAR
Há dois tipos de turistas em Torres del Paine: os mochileiros aventureiros e os amantes da natureza e do conforto. O primeiro grupo costuma acampar em lugares definidos pelos guardas florestais. Quando não fazem isso, acabaram incendiando o parque, como foi o caso das tragédias ambientais de 2005 e 2011, desde então não realizamos mais viagens de bicicleta por lá. Nas áreas para camping há abastecimento de água, sanitários rudimentares e certo apoio das autoridades. Já para os que não abrem mão de camas quentinhas, boa mesa e sofrimento controlado, a alternativa são ótimos hotéis e estâncias ao redor da área protegida. Duas excelentes opções junto às montanhas são o sofisticado Explora e o camping-chique Ecocamp. Quase todas os estabelecimentos funcionam no sistema all-inclusive, que conta não só com a hospedagem, mas todas as refeições, traslados, passeios e guias muito experimentados com a fauna, flora e geologia locais.