Em 1998 foi a vez de pedalar na Ilha da Madeira seria nossa segunda aventura internacional e conhecer a maior e mais importante arquipélago português no Atlântico Norte, a 500 km da costa Africana e a 1mil km da Península Ibérica, e apenas a uma hora e meia de Lisboa por avião
A Ilha Madeira tem uma área de 741 km2 com 57 km de comprimento e 22 de largura. A população beira os 260 mil habitantes, dos quais quase metade vivem em Funchal, a capital .
Com o apelido de Pérola do Atlântico, a Ilha da Madeira é um pedacinho de Portugal, que conta com vistas deslumbrantes com paisagens de tirar o fôlego, piscinas naturais, penhascos, areias milagrosas, um vinho que faz muito bem à saúde.
Esse jardim florido que brota do Atlântico como um milagre da natureza, é uma ilha sedutora e convidativa para quem que viver umas férias de sonho. É um lugar especial, ótimo mesmo, prática do cicloturismo.
A localização Geográfica e a privilegiada formação geológica garantem à Madeira um clima temperado nos 12 meses do ano, algo como uma eterna Primavera. As temperaturas médias são de 23° C, no Verão, e 19° C no inverno.
Com uma rede hoteleira de primeira qualidade, vegetação exótica e deslumbrantes paisagens, são muitos os seus atrativos. Além do cicloturismo a ilha pode ser descoberta em estimulantes passeios a pé ou mountain bike, que proporcionam um diálogo homem -natureza na contemplação das “levadas, que correm vertiginosamente entre as montanhas e abismos até a altitude máxima – o Pico Ruivo a 1861 metros.
As travessas e ruas estreitas da cidade velha são outra atração, permitindo contemplar imagens do passado histórico e sua grande beleza arquitetônica. Os bordados , os vimes as tapeçarias e outros interessantes artigos da sua industria artesanal são conhecidas em todo o mundo. O célebre vinho da Madeira, produzido a partir de vinhas cultivadas, que margeiam as múltiplas estradas da ilha. Sua gastronomia típica, particularmente a espetada de carne em pau de louro, que é acompanhada por “bolo de caco e milho frito são outros atrativos imperdíveis desta incrível maravilha do Atlântico.
Diário da cicloviagem realizada em Fevereiro de 1998
PRIMEIRO DIA – CHEGADA A FUNCHAL –
Enquanto o avião se preparava para aterrizar em Funchal naquela Segunda-feira, dia 16 de Fevereiro de 98, já dava para ter idéia do que vinha pela frente . Muitas subidas, por causa do relevo acidentado da ilha. Ao avista-la de longe, tem se a impressão de que houve um segundo dilúvio e que a única porção de terra que restou no mundo foi o pico de uma alta montanha , salva das água por milagre.
Há quem pense que essa impressionante formação rochosa é o último vestígio da lendária Atlântida, e mesmo quem aposte na hipótese de ela ser parte do enigmático continente de Lamur, que teria existido entre a América, África e Europa. Mitos a parte, a teoria mais convincente e a única aceita entre os geólogos é a de que a ponta desse “iceberg”, a 640 quilômetros do Marrocos, seja de origem vulcânica.
Funchal, a capital da região, já foi o porto comercial mais importante do Atlântico. Hoje seus habitantes, espremidos entre o mar e o morro, desfrutam os prazeres modernos. Carros, barcos e noitadas em discotecas fazem a alegria dos jovens.
– Funchal a Machico – 28 km
Ansiosos para o início de nossa pedalada, que teira 28 km nesse dia, saímos por volta das dez da manha em direção à Freguesia de Machico. Com um trânsito muito intenso pelas espremidas ruas de Funchal preferimos seguir pela Via Rápida onde se tinha um pouco mais de espaço para pedalar. Logo de início uma subida de 9 km , parecia que nunca teria fim, pois era só olhar para cima que se via a estrada subir e subir. Mas, a cada quilômetro que nos afastávamos do centro, a beleza da da ilha começava a se impor. Uma curiosidade da Madeira é o aproveitamento da terra, tanto em plantações como nas construções. Qualquer espaço de terra é aproveitado. É como se não houvesse mesmo outro lugar no planeta., Os madeirenses talharam as rochas em terraços para plantar cana, bananeiras, vinhas e uma imensa variedade de flores, fazendo da ilha como “jardim do Atlântico.
No final da tarde chegamos a Machico, um pequeno vilarejo, que pelas lendas foi o local de origem do descobrimento da ilha. Ingleses e Espanhóis tem diferentes versões sobre o mesmo personagem: Machiín, Machyn ou Mac Kean, na verdade o nome pouco importa. O fato é que ao enfrentar uma tormenta em alto mar fugindo, com sua amada, seu barco teria sido empurrado pelos ventos até a Madeira, onde aportaria em 1377. Machím e sua companheira morreram logo depois de chegar , mas os tripulantes que conseguiram retornar, teria dado a notícia da descoberta. Com isso o nome dessa enseada acabou sendo Machico. Mas é o cavaleiro João Gonçalves Zarco quem é considerado o descobridor oficial da ilha, que começou a ser colonizada em 1425.
– MACHICO A SANTANA – 32 KM –
Os 32 km do segundo dia de pedaladas foram o trecho mais difícil de todo o percurso. De início oito quilômetros de subida. Agora, fora da área movimentada da região de Funchal, começávamos a pedalar pelas estreitas estradas da ilha, onde mal passam dois carros. Sem calçada para pedestre ou acostamento o negócio foi encarar a estrada assim mesmo. No início ficamos com um pouco de medo, mas, com o tempo nos acostumamos, pois tanto a bicicleta como o pedestre que caminha no canto da estrada são respeitados, e isso nos deu muita segurança.
Depois da longa subida chegamos na Freguesia de Portela sob o olhar curioso dos vários turistas alemães e dos próprios madeirenses. O bom de se fazer cicloturismo na Ilha da Madeira é que quase sempre no final de uma grande subida há algum restaurante, café ou lanchonete. Por toda ilha se come muito bem e barato, principalmente se você procura os lugares freqüentados pela população. Depois do lanche uma longa descida nos esperava. Soltar os freios , nem pensar ! Durante toda descida era impossível percorrer um quilômetro sem parar para admirar a paisagem.
Final de descida chegamos a freguesia de Porto da Cruz, outro local de imensa beleza. A partir daí era só subida. A Heber pedalou por um quilômetro e depois abriu o bico e praticamente empurrou até o início da descida. Vencida esta etapa chegamos a outra forte descida e outra forte subida de uns 6 km foi de doer. Chegamos em Santana quase ao anoitecer, onde fomos recompensados pela hospedagem em um luxuoso hotel recém inaugurado: o Quintas do Furão, onde ficamos a convite do Direção Regional de Turismo. À noite depois de apreciarmos dois dos principais pratos regionais: a “espetada com pau de louro” (Churrasco no espeto de pau de louro) e o “Peixe Espada com Banana”, assistimos a uma apresentação com danças e músicas da região.
No dia seguinte, bastante cansados a vontade era de ficar o resto das férias por ali, mas o sol, a paisagem e a agradável temperatura e a descida que vinha pela frente animou nosso terceiro dia de pedalada.
– SANTANA A PONTA DELGADA – 27 KM
Ao contrário dos dias anteriores a pedalada de 27 km se iniciou com uma longa descida e conforme nos embrenhávamos mais para o norte da ilha a viagem se tornava mais bonita. Os tons fascinantes da vegetação cobrem a ilha como um manto verde. Algumas das plantas que vimos só existem na Madeira. Como a “Laurissilva” – conjunto de plantas raras no mundo. Na ilha desabrocham espontaneamente em todo ano, orquídeas, primaveras, açucenas, hidrângeas, magnólias, jacarandás e azaléas. Neste trecho em especial o que dominava eram as videiras. Aliás o vinho é um modo de vida na ilha. Se ao passear pelas encostas o turista parar para pedir informações, o mais provável é que esqueça a estrada e se veja saboreando um copo de vinho oferecido pelo seu interlocutor. Negar esta oferta é uma grande ofensa nessa Madeira rural e hospitaleira.
Conforme nos aproximávamos de Ponta Delgada a estrada se tornava mais bonita e também de assustar e tirar o fôlego de qualquer visitante. Esculpidas nas rochas, com vários túneis atravessando montanhas de pedra, a estrada ora beirando o mar e ora beirando a morte proporciona paisagens incríveis e emocionantes. Chegamos em Ponta Delgada ansiosos para acordar cedo e percorrer o trecho mais bonito de toda viagem no dia seguinte.
– PONTA DELGADA A PORTO MONIZ – 24 KM
O dia chuvoso não nos desanimou a percorrer os 24 km do mais belo e perigoso trecho de toda viagem. Desaconselháveis para quem sofre de vertigens, a estrada que leva ao pontos mais fantásticos da ilha, como os vilarejos de Seixal e Ponta Delgada, são aparentemente inviáveis. É difícil de acreditar que um motorista sensato possa trafegar em pistas estreitas, sem acostamentos, beirando o mar com um precipícios as vezes chegando a uns 200 metros de altura. Embora haja riscos , os madeirenses possuem algumas regras locais de trânsito, como buzinar antes de cada curva fechada, que tornam os acidentes raros. Em alguns trechos nem a bicicleta passava junto com um carro, alguém tinha que dar uma ré. Mais emocionante era passar pelos escuros e úmidos túneis, uma constante em todo o caminho. Alguns proporcionando paisagens de sonho com cachoeiras caindo sob eles para desaguar no mar e alguns com janelas abertas , também para o mar. Além de ser o trecho mais bonito também foi o mais fácil, com poucas e leves subidas. Chegamos a Porto Moniz por volta das 15 horas. O vilarejo é conhecido pelas piscinas naturais formadas pelas pedras no mar.
– PORTO MONIZ A JARDIM DO MAR – 41 KM
As informações que tínhamos para o início da pedalada de 41 km não era das mais otimistas. Meio desanimados com que vinha pela frente começamos a subir, não demorou muito para a Heber começar a empurrar. Depois de um quilômetro de pedalada uma alma chamada Manoel, nos ofereceu uma carona e não pensamos duas vezes colocamos nossas bikes na caminhonete e economizamos 6 km de sofrimento. Daí pra frente ficou mais fácil. Ao contrário do dia anterior sempre beirando o mar o caminho desse dia foi cercado de muito verde, e também o trecho mais frio, da ilha.
A partir da aldeia Lombada dos Marinheiros era possível comprar na estrada o famoso bolo de caco com manteiga de alho, um tipo de pão caseiro, muito gostoso feito ali ao ar livre. Seguindo em frente ao passar pela aldeia de Prazeres tivemos a oportunidade de comer, talvez, o melhor bacalhau de toda ilha, a convite do proprietário da loja de bicicletas MZ bike, o Miguel, que também é grande conhecedor das trilhas da ilha . A partir daí só foi descida até o Jardim do Mar. O menor vilarejo em que ficamos e também um dos mais simpáticos e ponto de encontro de surfistas. Dizem os locais que lá estão as melhores ondas da Europa. Outro fato interessante em toda ilha da madeira são as praias, não são de areia, são todas de pedras.
– JARDIM DO MAR A ESTREITO DE CALHETA – 4,5 KM
Como era domingo nossa intenção não era de pedalar muito, aproveitamos para dormir um pouco mais e depois encarar os 4,5 km de subida até o Estreito de Calheta. O prêmio era aproveitar a confortável estadia na Quinta da Vinha, um antigo casarão de mais de 300 anos, transformado em uma luxuosa pousada.
– ESTREITO DE CALHETA A RIBEIRA BRAVA – 24 KM
O início do trecho de 24 km foi bom, uma longa descida de 6km até Calheta. A descida era tão forte, que devido ao grande peso na bicicleta (35 KG) o freio esquentou tanto o aro que derreteu a borracha no bico e fez o pneu furar bem no final da descida.
Seguindo em frente, isto é subindo em frente, novamente chegamos a outro belo trecho da estrada Entre Ponta do Sol e Ribeira Brava, um trecho semelhante da região de Ponta Delgada e Porto Moniz, com a estrada beirando o mar e enormes precipícios e talvez o que mais chamou a atenção de toda viagem, era uma enorme cachoeira com uma queda d’água passando sob a estrada e caindo no mar, uma imagem que jamais se apagará em nossas mentes.
Chegamos em Ribeira Brava pela hora do almoço e não perdemos tempo em procurar um bom lugar para comer um bacalhau e uma espetada regional. A noite ainda foi possível ver a animação do carnaval local , sempre ao som de músicas brasileiras com forte sotaque português.
– RIBEIRA BRAVA A FUNCHAL – 33 KM
Na terça-feira de carnaval, último dia de pedalada, saímos cedo de Ribeira Brava a fim de ver o desfile carnavalesco em Funchal. Esses 33 km foram, talvez o trecho mais urbano de toda viagem, mais nem por isso deixou de ser bonito.
Perto do vilarejo de Campanário encontramos os primeiros ciclistas da ilha, era um grupo de dez , de alguma equipe local fazendo seu treinamento, descendo a mil pela estreita estrada. Neste trecho também encontramos vários turistas, em sua maioria de países nórdicos, caminhando pelas diversas trilhas da região, que em sua maioria são ao longo das “levadas(pequenos canais de irrigação feitos pelo homem), que circundam toda a ilha. São em torno de 2.100 quilômetros de estreitos canais canais e quarenta túneis. Durante sua construção, escravos eram obrigados a ficar suspensos em cestos sobre o abismo, empunhando pesados martelos e talhadeiras para abrir canais nas íngremes paredes rochosas. Além do trecking em algumas levadas também sua uma boa opção para a prática do mountain bike ou btt(bicicleta todo terreno) como é conhecido em Portugal.
Quanto mais se aproximava da cidade de funchal era possível ver a movimentação para o último dia de carnaval, era o dia do desfile trapalhão, onde os foliões se fantasiam em sua grande maioria com engraçadas mascaras e também é possível ver muitos homens fantasiados de mulheres. A apenas quatro quilômetros do final, novamente outro pneu furado e com o mesmo motivo da vez anterior, o aro esquentou tanto na descida e furou no bico.
O Carnaval na Madeira é uma das principais festas da região, atraindo turistas de várias partes. Sempre ao som de músicas carnavalescas do Brasil e músicas da região.
Encerramos nossa volta na ilha após 214 km de pedal e pensado e voltar agora com um grupo daqui do Brasil.
ILHA DA MADEIRA
ONDE É: A ilha da Madeira fica no Oceano Atlântico a 1000 km de Lisboa e a 500 do continente africano. É a maior e mais importante ilha do arquipélago de mesmo nome, que ainda inclui Porto Santo e mais dois grupos de ilhas:Desertas e Selvagens.
COMO CHEGAR: O mais fácil é ir até Lisboa. Dali há cinco vôos diários pela TAP, para Funchal.
ONDE FICAR: Em Funchal há desde hotéis cinco estrelas até turismo de habitação, um tipo de alojamento em que o visitante convive com os proprietários das casas. No interior, pricipalmente nos locais por onde passamos.
MELHOR ÉPOCA: O clima da Madeira é moderado, variando entre 16 e 22 graus , sendo que nas montanhas e no lado norte da ilha o frio é mais intenso. O único mês desaconselhavel é agosto , quando uma névoa espessa , que os ilhéus chamam de capacete, cobre as montanhas.
QUEM LEVA: O SAMPA BIKER’S organiza grupos de no mínimo cinco pessoas para percorrer o mesmo caminho ou roteiros alternativos alternado cicloturismo e mountain bike .
- ????????????????????????????????????